Mulheres em evidência no agronegócio - Sistema FAERR|SENAR
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  • Postado por: ASCOM/SENAR
  • 08 de Março de 2019 às 12:20
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Estadão Canal Agro

Cresce o número de mulheres em posição de liderança no campo, de acordo com o IBGE. A cada dia, elas ocupam mais espaço em atividades antes “predominantemente” masculinas

O número de mulheres que lideram propriedades rurais no País cresceu de 12,68% (em 2006) para 18,64% (em 2017), de acordo com os dados preliminares do Censo Agropecuário 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A participação feminina é ainda maior (34,75%) quando somadas as mulheres que administram o estabelecimento agropecuário junto com o cônjuge. “O campo não está atraindo mulheres; elas já estavam lá e agora estão tomando conta do trabalho”, diz Antonio Carlos Simões Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário do IBGE.

O novo censo agropecuário também traz à tona o problema da sucessão familiar. Os produtores estão envelhecendo, e nem sempre os herdeiros são preparados ou querem assumir o comando da empresa familiar. Foi o que aconteceu com a advogada Sarita Junqueira Rodas, 36 anos. Filha de produtor rural, ela não se via trabalhando nos negócios da família até que a morte repentina de seu pai a fez mudar de rota. O fato é que a presença feminina no campo está cada vez mais em evidência, inclusive em áreas até pouco tempo “dominadas” pelos homens. É o caso de Dalva Marques, 44 anos, a primeira e ainda única mulher a julgar campeonato de marcha de muares no Brasil. A seguir, um pouco mais da história dessas duas notáveis do agronegócio brasileiro.

AS REVIRAVOLTAS DA VIDA

Sarita Junqueira Rodas tinha 25 anos e três filhos quando seu pai, Fábio Rodas, faleceu em 2008. Formada em direito, na época não pensava em trabalhar com a família; seu sonho era ingressar no Ministério Público. Mas a morte precoce do patriarca aos 63 anos e da irmã mais velha, que era quem assumiria os negócios da família, a obrigou a alterar os planos.

Fundado em 1968, o grupo Junqueira Rodas é hoje um dos maiores do agronegócio brasileiro, com faturamento de R$ 120 milhões e atuação na área de citricultura, cana-de-açúcar e criação de gado tabapuã. Ao todo, são 13.271 hectares divididos em propriedades em São Paulo e Mato Grosso. O carro-chefe da empresa são as lavouras de laranja, que somam mais de 2 milhões de árvores plantadas.

Para comandar este império, a herdeira correu atrás de capacitação, fez vários cursos de especialização em gestão, liderança, administração e finanças. Resultado: o parque citrícola dobrou a produção sem aumentar a área. “Sarita é uma empreendedora, não fica sentada esperando que as coisas deem certo. Ela tem tudo bem gerido, redondinho do ponto de vista de tecnologia, controle de custos, tudo como manda o manual do bom gestor”, diz Ibiapaba Netto, diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus Br).

Uma das maiores dificuldades foi vencer o descrédito. Há 11 anos, não era comum uma mulher assumir posição de liderança no agronegócio. A CEO do grupo Junqueira Rodas teve que aprender a lidar com os olhares de desconfiança e conquistar espaço, centímetro a centímetro. A falta de credibilidade ainda hoje tem apoio numérico. Apenas um terço das empresas familiares sobrevivem à segunda geração sem planejamento sucessório. Sarita está dentro da parcela bem-sucedida e alcançou uma posição de destaque no setor. Ela foi a primeira mulher eleita para fazer parte do conselho deliberativo do Fundo de Defesa de Citricultura (Fundecitrus) e também é a primeira e ainda única mulher a integrar o conselho de administração do Montecitrus, importante grupo de produção e comercialização de laranja do estado de São Paulo.

As dores vividas por Sarita a motivaram a criar a Prossiga, uma consultoria especializada em planejamento sucessório de empresas familiares. “Com a experiência que tive, decidi que poderia ajudar outras famílias a não passar pelas dificuldades que a nossa enfrentou”, diz. A CEO do grupo Junqueira Rodas hoje dá palestras por todo o Brasil compartilhando sua vivência e ajudando outras famílias na transição da gestão dos negócios para a próxima geração. “Sejam sucessores, não herdeiros. Um plano bem definido, com funções delimitadas e objetivo traçado, é fundamental para uma transição bem-sucedida, que garanta bons resultados e a perenidade da empresa.”

 


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